sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Pedro Blanco
(1883 - 1919)
Pianista e Compositor

Pedro Buenaventura Santiago Blanco Lopez, nasceu na cidade de Leon em Espanha em 1883, radicou-se nesta cidade Invicta desde 1903 até à data da sua morte em 1919. Filho do músico Mateo Blanco del Rio e Emília Lopez Moya, iniciou os seus estudos musicais com o seu pai. Nos finais do sec. XIX recebeu uma bolsa de estudo da Députation da Província de Leon para estudar no Real Conservatório Superior de Música de Madrid, (1896 – 1901) e onde recebe o Primeiro Prémio de Piano em 1902. Foram seus professores Juan Cantón Francés (Harmonia), Felipe Pedrell (História da Arte) e Andrés Monge (Piano). Estudou também Órgão e Cantochão.
Inicía em 1902 a carreira como Concertista (piano) o que o traz ao Porto em 1903, onde fixa residência e família. Realiza diversos concertos a solo e integrado em agrupamentos de câmara, tais como o Casino de Espinho, ou o Clube de Fenianos. Nesta cidade leccionou piano a nível particular, tendo promovido inúmeras audições dos seus alunos.

Durante as duas primeiras décadas do Sec. XX realiza diversas actuações em Espanha, França e Portugal. Torna-se correspondente de algumas publicações culturais onde publica diversos artigos com particular incidência sobre o intercâmbio cultural entre Portugal e Espanha. Manteve diversa correspondência com personalidades dos vários campos artísticos, particularmente com músicos como Filipe Pedrell, Joaquin Turina, Rogelio Villar e Tomás Bréton, mas também com Claude Saint-Saëns (ver Casa da Música 2009) e Maurice Ravel. Integrou o primeiro corpo docente do Conservatório de Música do Porto, onde leccionou a disciplina de Piano (1917 – 1919). Em 1917 ganha o 1.º Prémio de Composição do Circulo de Bellas Artes de Madrid com a Suit para Orquestra Añoranza. Pedro Blanco morre prematuramente em 1919 com 35 anos de idade, vítima da chamada gripe espanhola ou gripe pneumónica. Encontra-se sepultado nesta cidadedo, em jazigo de Família no Cemitério de Agramonte.

Após a sua morte, todo o seu espólio ficou conservado no seio da sua família em Portugal. Por iniciativa dos seus familiares, conjuntamente duas musicólogas da Universidade de Lisboa, Bárbara Villalobos e Maria João Pedroso, foi reunido todo o espólio existente, sendo feita a sua análise e classificação. Contou posteriormente com a participação da pianista Sofia Lourenço dando um grande contributo na divulgação da música de Pedro Blanco. Entretanto o director do Auditório da Cidade de Leon, Daniel Sanz, encontrou ocasionalmente num móvel antigo, as partituras para orquestra da Suit “Hispania”, o que o levou a procurar os familiares de Pedro Blanco em Portugal devido à grande qualidade do trabalho encontrado.O Festival de Música Española de León entretanto resgata do esquecimento a música de Pedro Blanco, integrando várias obras no festival de 2007 e procedendo à edição de um CD duplo com toda a obra de Pedro Blanco para piano, piano e canto e piano e violino. Igualmente agendou a edição de um segundo CD duplo com toda a obra para orquestra.Por sugestão do director do Festival da Música Española de León, Miguel Fernández Llamazares, a família entregou todo o espólio de Pedro Blanco à prestigiada Fundación Juan March em Madrid, através da sua biblioteca de música espanhola contemporânea, que o tem trabalhado exaustivamente de forma a estar acessível a todos os interessados.

O Festival de Música Española de León tem previsto a edição comentada, pela pianista e musicóloga Julia Franco Vidal, das partituras de toda a obra de Pedro Blanco.
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A Obra de Pedro Blanco
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A obra para Piano do compositor Pedro Blanco, extremamente extensa considerando a sua morte prematura, pode-se dividir em duas correntes estéticas. Um primeiro estilo Pós-romantico relativamente próximo da linguagem musical de F. Chopin, . Sendo as Mazurcas mais lentas do que as de Chopin, lembrando mais um nocturno do que uma dança.
A Polonesa foi pensada como obra de bravura (elevado virtuosismo) para os seus próprios concertos e deixa antever alguns dos seus aspectos que perduram no resto da sua obra : virtuosismo, lirismo e claridade formal. Esta peça nunca foi editada existindo apenas o manuscrito As seis “Jeunesse d’amour- Six valse Lentes”, peças cuja simplicidade resulta um encantamento, parecem ter sido criadas para conquistar corações em concertos privados.

A escrita da série “Heures Romantiques” é a mais completa, seguindo um modelo formal de Chopin assim como de uma textura impressionista de Debussy. Berceuse está baseada na escultura de Teixeira Lopes “Entfants endormis” assim como a Ballada, é dedicada ao seu amigo Dr. Manuel Laranjeira, é de grande ambição e envergadura.
O estilo Nacionalista fiel aos ensinamentos do seu mestre Felipe Pedrell baseado no folclore espanhol. A suit “Hipania” está cheia de evocações da Andaluzia. Muitas das melodias provem do folclore espanhol onde predominam os ritmos marcados, os sons da guitarra e os ambientes andaluzes. “Castilla” é a sua última obra, editada após a sua morte. É a sua obra mais individualista e também obscura. O material harmónico é complexo e ambíguo embora bastante elaborado. Não deixa de ser paradigmático que Pedro Blanco a dedique à sua terra natal no final da sua vida conforme escreve numa carta a Felipe Pedrell.

A Obra para Violino e Piano – Pedro Blanco escreve em 1915 “Romance y Zambra andaluza”. Fiel ao caracter nacionalista, foi dedicada ao seu amigo José Porta nascido em Huesca violinista e professor no Conservatório de Lausana – Suíça. Obra para Canto e Piano também apresentam os estilos pós-romantico e nacionalista. “Guitarra Mia” esta baseada numa poesia em castelhano de Octávio Díaz-Berrio e foi dedicada ao seu amigo e cantor José de Brito. Foi interpretada no funeral do Compositor.
Canções Portuguesas:
O Senhor Reitor / A Fiandeira / Flor da Rua ” foram as suas primeiras canções na sua nova língua – Português, elegendo poemas de Maximiano Ricca, Carvalho Barbosa e João Saraiva. A primeira audição realizada na festa da Canção Portuguesa foi a cargo de Alexande d’Azevedo que conjuntamente com Palmira Bastos formavam uma companhia que posteriormente percorrem todo o Portugal Musicou diversos poemas e letras de poetas e escritores conhecidos como por exemplo a “A Rosa e o Lírio” e “Barca Bela” de Almeida Garrett.

As Obras Orquestrais são:
– “Hispania” escrita inicialmente para piano é posteriormente Orquestrada por Mr. Lucien Lambert 1914(?).
– Añoranza Suit espanhola para grande orquestra 1917.
– Concerto para Piano e Orquestra em 1918.
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Edição Discográfica
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A primeira edição discográfica foi realizada em Janeiro de 2007 é uma produção local realizada pelo Festival de Música Espanhola de León assim como um DVD onde está incluído o Concerto para Piano e Orquestra e abrange praticamente toda a obra de Pedro Blanco. Pode ser encontrado apenas em : www.festivaldemusicaespanola.es . Está prevista uma nova edição da gravação dos Concertos do Festival realizado em Julho de 2008 na cidade de Leon onde constará a “Añoranza”.
Em Portugal a pianista Sofia Lourenço reúne obras de diversos compositores desta cidade do Porto, onde inclui 4 temas de Pedro Blanco editando em finais de 2007 o seu CD “Porto Romântico”. – Editora Numérica. (FNAC)

Notas Biograficas : – Discografia “Porto Romântico” de Sofia Lourenço – Discografia Remembranza – Pedro Balnco – Contacto c/ familiares
– Jornal de Notícias Edição 3 Maio de 1919

2 comentários:

Zabal disse...

Viva!
Sou neto do Octavio Diaz-Berio y Lopez.
Encontrei o seu blog ao procurar coisas sobre o meu avô.
Será que conhece o poema que ele escreveu para Pedro Blanco?
Em caso afirmativo muito gostaria de o ter.
Cumrimentos,
Octavio Diaz-Berrio

MCA disse...

Ou seja, o compositor viveu toda a sua vida adulta em Portugal, constituíu família em Portugal, fez carreira em Portugal, morreu e foi sepultado em Portugal. Duas musicólogas reunem e tratam o seu espólio, uma pianista dedica-se à sua recuparação. E a família pega em tudo e manda para Espanha. Sem mais comentários...